domingo, 29 de junho de 2008

minha rota 66...

Era uma temporada qualquer, daquelas de um outono de muitos. O ano? Já nem sei mais se vale a pena lembrar dele. Porém, a sensação de liberdade que o fato, deste ano, representa: um grito de união com o etéreo, junto a uma passagem só de ida ao infinito.

Adolescência... Ah querida juventude...Que lembranças fortificantes tocam os sinos da minha noção de vida ideal? Numa dessas tardes de sexta feira nublada, com a companhia de um luke strike, meia garrafa de vinho e um cão vira-lata, fui nocauteado pela a idéia mais abusiva, dessa minha efêmera idade mediana. Digo efêmera, pois quando chego hoje, percebo o tempo incontável, vivido, amado, odiado, e por tudo, um eterno obrigado.

Desabafo aos amigos leitores a maior das minhas loucuras: 6 discos de vinil(London Calling, Animals, Led Zeppelin IV, Aqualung,
Johnny winter captured live, Cath a fire) por um punhado de cédulas ridículas e uma vaga na carroceria de um caminhão, carregando algumas dúzias de maçã. Destino: um lugar onde os fracos não têm vez. Bem, quem disse que a vida é fácil para quem namora longe? Assim é para os 16 anos. Tudo em demasia; porres, paixões, rancores, etc...Tudo para essa faixa etária é uma fagulha do sentimento kamikaze. Eu sou louco? Sim, sou louco. Louco, doido, maluco porque amo a vida, o momento, e faço dele o meu maior aliado.

Colecionadores que me perdoem mas curtir era fundamental. Hoje me arrependo bruscamente. Não pelo fato de ontem e sim, pelos meus ídolos. Enfim, aquela sensação do destino, em uma dose de old parr 12 anos, só tenho em lembrança...

Chegando lá, após uma viagem ansiosa de 3 horas, olhando aquele céu que dizia - vai o mundo é seu, a natureza é sua; curtindo a minha infinita highway, ao lado do antigo companheiro dos eternos mochileiros: o walkman. Assim, o mundo era pequeno. O que me esperava? Cachoeiras, vinhos, um amor contagiante, poesia real, realidade visceral e, claro, meio bando de amigos que fariam kerouac se tornar beato. Fazer o que, não é? A vida é dura para quem não vive ...

2 dias de viagem ao país das maravilhas e Alice tinha que voltar pra casa. Beijos de despedida e a deixei com um gostinho de bis. Porém, outra amante veio comigo: a ressaca. Essa companheira fiel, jamais abandona seu eterno amor... Nunca deixou-me; pelo menos não naquele dia. Olhando para trás, eu tive uma sensação única que passou por mim e deixou o seu jeito na espinha: a saudade.

Na volta pensava - já sei o que me espera: um punhado de adultos falantes, moralidades inalcançáveis, meio mundo de provas e cobranças sem fim...


"Que sensação é essa, quando você está se afastando das pessoas e elas retrocedem na planície até você ver o espectro delas se dissolvendo?- é o vasto mundo nos engolindo, e é o adeus. Mas nos jogamos em frente, rumo à próxima aventura louca sob o céu"
Jack Kerouac , On the road

4 comentários:

Anônimo disse...

muitas das vezes, sinto a imensidão da sua criatividade
muito bom texto
parabéns

Anônimo disse...

OOWww Léo..
Essa sua mudança de nome toda hora
acaba fazendo a gente se perder, mas te achamos novamente
beijos lindo

Anônimo disse...

Ótimo texto léo, deu pra viajar junto com vc. Parabéns! Venho com tempo pra ler tudinho. Bjo

Jéssica Mendes disse...

Nossa, realmente não sei o que comentar.

Ao som de Anna Luisa, juro que não sei o que dizer.

Adorei, mas adorei MESMO!

Obrigada por ter me encontrado e me proporcionado momentos de boa leitura como estes. :)